O PRR está a apoiar a criação de novas ferramentas digitais que reforçam a transparência no poder local. O projeto Citilink, apresentado esta quarta-feira, dia 21 de janeiro, na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, foi recebido com entusiasmo por autarcas, que defendem a sua aplicação a mais municípios além dos territórios piloto.
A plataforma permite aos municípios carregar atas das reuniões de câmara, que são tratadas através de inteligência artificial, tornando a informação pesquisável por temas ou palavras-chave. O sistema identifica participantes, posições políticas e sentidos de voto, apresentando ainda resumos em linguagem clara, dirigida a cidadãos, jornalistas e decisores.
Financiado pelo PRR, o Citilink resulta de uma parceria entre a UBI, a Universidade do Porto e o INESC TEC. O site já está disponível e integra informação dos municípios da Covilhã, Fundão, Alandroal, Campo Maior, Guimarães e Porto.
Segundo o coordenador do projeto e docente da UBI, Ricardo Campos, os modelos desenvolvidos transformam “textos longos e técnicos em informação estruturada e concisa, facilitando a compreensão do que foi discutido e decidido”.
Maria Manuel Leitão Marques, antiga ministra da Modernização Administrativa e atual presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, destacou a relevância do projeto, afirmando que “se não houver iniciativas e projetos como este a soberania digital que tanto se fala não terá conteúdo”. Reconheceu, no entanto, que este é um processo exigente, lembrando que “é como um puzzle que nunca se acaba”.
Defendeu ainda que “tudo o que sirva para reforçar a participação cívica merece ter investimento”.
Classificando o projeto como “notável”, considerou que a sua continuidade poderá passar pela Associação Nacional de Municípios Portugueses ou pelas Comunidades Intermunicipais, defendendo que “o problema das atas é de todos”.
Autarcas da Covilhã, Alandroal, Campo Maior e Guimarães sublinharam o contributo da plataforma para a democratização da informação municipal, alertando para a necessidade de inclusão digital e defendendo que “ninguém deve ficar para trás”.

Fonte: citilink.inesctec.pt