Plano de Recuperação e Resiliência – Recuperar Portugal

PRR acelera transformação da pesca: nova geração de embarcações abre safra e redefine futuro do setor

A abertura da safra da sardinha 2026 ficou marcada por muito mais do que o regresso das embarcações ao mar. O momento simbolizou uma viragem estrutural no setor das pescas em Portugal, impulsionada pelos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência, que estão a financiar a modernização, a inovação tecnológica e a transição energética de frotas e infraestruturas.

Na Figueira da Foz, um dos principais polos da atividade piscatória nacional, a entrada em operação de embarcações requalificadas ao abrigo do PRR evidenciou o impacto direto deste plano na economia do mar. A renovação de navios, aliada à introdução de soluções mais eficientes e sustentáveis, reflete uma estratégia clara: reduzir a pegada ambiental e aumentar a competitividade das empresas do setor.

Entre os exemplos mais recentes está a embarcação “Fernando Lé”, alvo de requalificação no âmbito deste programa, que regressa à atividade com melhores condições operacionais e maior eficiência energética. A intervenção permitiu atualizar sistemas e prolongar a vida útil do navio, alinhando-o com as exigências ambientais e tecnológicas atuais. O projeto é liderado pelo armador António Lé, ligado há décadas à atividade piscatória na região, que tem vindo a apostar na modernização da frota e na valorização do setor. A sua intervenção recente reflete uma visão orientada para a sustentabilidade e para a necessidade de adaptar a pesca portuguesa a um contexto cada vez mais exigente, tanto do ponto de vista ambiental como económico.

A cerimónia contou também com a presença do ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, que participou no momento de “bota-abaixo” da embarcação “Fernando Lé”, renovada com o apoio do PRR. O governante destacou as perspetivas positivas para a safra da sardinha de 2026, sublinhando que Portugal dispõe de cerca de 33.400 toneladas de quota, um valor que, embora ligeiramente inferior ao de 2025, representa um aumento face a 2023.

O investimento enquadra-se na componente “Transição Verde e Digital e Segurança nas Pescas”, que prevê apoiar dezenas de projetos focados na modernização de processos, na economia circular e na descarbonização da atividade.

No terreno, os sinais de mudança são visíveis. Estaleiros navais que enfrentaram dificuldades nos últimos anos estão a recuperar atividade graças à procura por requalificação e construção de embarcações mais eficientes. Paralelamente, os profissionais do setor reconhecem que a aposta na sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência regulatória para se tornar um fator estratégico.

A ambição do PRR para as pescas passa por executar dezenas de projetos até ao final do programa, com metas concretas ao nível da inovação e da redução do impacto ambiental. Entre os objetivos está a criação de uma frota mais preparada para os desafios climáticos, capaz de garantir a preservação dos recursos e a viabilidade económica a longo prazo.

Foto: Jorge Oliveira/MAGRIM

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